Aluno da FGV é acusado de racismo após dizer que encontrou ‘escravo no fumódromo’

Foto compartilhada por aluno da FGV; ele foi acusado de racismo e suspenso da faculdade (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Um aluno da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), no Centro de São Paulo, tirou uma foto de outro estudante da mesma instituição e compartilhou em um grupo de whatsapp com a frase: “Achei esse escravo no fumódromo! Quem for o dono avisa!”. A vítima registrou boletim de ocorrência por injúria racial e o autor da foto foi suspenso da faculdade, segundo o Diretório Acadêmico.

Procurada, a FGV informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que prepara nota com posicionamento para enviar ao G1.

Em um grupo da GV no Facebook, a vítima conta que foi chamado pela Coordenação de Administração Pública na terça-feira (6) e informado que um aluno do 4º semestre do curso de Administração de Empresas compartilhou a foto com a frase.

“Tão perto de mim…porque não foi falar na minha cara? Mas você optou pela atitude covarde de tirar uma foto minha e jogar no grupo dos amiguinhos. Se seu intuito foi fazer uma piada, definitivamente você não tem esse dom. Acha que aqui não é lugar de preto? Saiba que muito antes de você pensar em prestar FGV eu já caminhava por esses corredores. Se você me conhecesse, não teria se atrevido. O que você fez além de imoral é crime! As providências legais já foram tomadas e você pagará pelos seus atos”, diz post publicado em grupo da faculdade no Facebook.

“Não descansarei até você ser expulso dessa faculdade. Pessoas como você não devem e nem podem ter um diploma da Fundação Getúlio Vargas. A mensagem é curta e direta. Mas serve para qualquer outro racista da Fundação. Não passará!”

O boletim por injúria racial foi registrado no 4º Distrito Policial da Consolação, na região central da cidade, nesta quinta-feira (8).

Em nota, o Diretório Acadêmico Getúlio Vargas diz que o agressor foi suspenso até junho após ser julgado pela Comissão de Conduta e Ética convocada em regime de urgência. Além disso, uma carta de denúncia será apresentada à Congregação, órgão colegiado capaz de deliberar a respeito da expulsão do aluno.

“Reiteramos, ainda, nosso profundo repúdio ao ocorrido. Nossa gestão assumiu o DAGV com o compromisso de trabalhar junto aos coletivos por uma faculdade mais inclusiva e democrática, e por um ambiente universitário verdadeiramente acolhedor a todos e todas que nele estão”, diz a nota.

O coletivo negro 20 de Novembro FGV também se manifestou e disse “que condutas racistas não passarão em branco pelos olhos e bocas de quem sabe o que é sofrer preconceito na pele”.

Outro caso

Em março do ano passado, alunos da FGV denunciaram professores de economia e administração por declarações racistas e machistas durante as aulas. Segundo o Diretório Acadêmico, uma comissão de ética da coordenadoria da faculdade foi aberta para apurar as denúncias e definir punição para os docentes.

Em um grupo do Facebook exclusivo para alunos da FGV, uma aluna relatou que um professor declarou que “mulher só faz o trabalho quando enche ela de porrada. Não tem que tratar mulher com beijo e mimimi! Tem que tratar com tapa, tem que mostrar que quem manda é o homem”. O texto, postado em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, termina com a aluna dizendo que as palavras foram “proferidas a risos por um professor da EAESP [Escola de Administração de Empresas] Feliz Dia das Mulheres!”

Fonte – G1

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